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Artigos - Gestação e Parto

Participação do pai no parto

Participação do pai no parto

Resolvi escrever sobre uma questão que tem me sensibilizado. O encorajamento a participação paterna no parto humanizado.

Quando soubemos da gravidez de nosso primeiro filho, Vinícius (que está com 9 meses de vida uterina, aguardando alguns poucos dias para nascer), decidimos logo pelo parto natural humanizado. Foi, aliás, com o pessoal do Roda Maternarti e a Renata, que obtivemos informações e todo o apoio para o parto. No início da gestação meu apoio ao parto humanizado era incondicional, mas confesso que não desejava participar. Tinha muitos “receios”: medo de desmaiar no parto (tenho certo medo da imagem de algo que envolva sangue, “dor” e tudo mais que atravessa o imaginário do ambiente hospitalar), ouvia de outros homens que a imagem de um parto normal poderia afetar meu desejo sexual, entre outros. Me assustava a ideia de que eu deveria participar ou cortar o cordão umbilical. Esses rituais as vezes passam a ser uma imposição, uma espécie de “prova de machesa”. Claro, também ouvia sobre os preconceitos que rondam o parto natural e humanizado. Além disso, imagino que poucos sejam os homens em nossa sociedade que tenham sido preparados de alguma maneira para tal evento. A criação dos homens passa longe de qualquer sensibilidade ao parto, afinal, trata-se de um evento historicamente feminino e atualmente médico-hospitalar (infelizmente).

Mas ao longo da gravidez fui me vendo cada vez mais envolvido nessa história. Eu e minha esposa estudamos e assistimos a inúmeros vídeos de partos. Aos poucos, fui me tornando outro, já não temia o parto, ao contrário, hoje, aos nove meses de gestação, não me vejo em outro lugar que não ao lado de minha esposa e meu filho no momento de seu nascimento. Desejo ser o primeiro a segurá-lo nos braços, junto de minha esposa. Dar o primeiro banho. Enfim acredito que esse é um momento familiar e único e não apenas uma intervenção médico-hospitalar. Posso dizer que superei boa parte das minhas limitações pessoais e os preconceitos que envolvem a participação do pai no parto.

Contudo, ao passo que me tornava mais consciente e mais forte em fazer parte do nascimento de meu filho, fui me deparando cada vez mais com discursos (por vezes muito sutis) de desencorajamento. Em consultas médicas, ouvi de obstetras, pediatras, enfermeiras, até da secretária do hospital a pergunta se eu participaria do parto. Ao responder que sim, tudo o que ouvi foram frases do tipo: “Mas não vai desmaiar, heim?”; “Os pais sempre dão trabalho na hora do parto, tem que estar preparado, viu!”; “As vezes os pais ajudam mais estando do lado de fora”. Além de nos depararmos com todo tipo de desculpas por parte dos profissionais da saúde para proibir a participação do pai na sala de parto – a despeito da legislação existente que garante um acompanhante de escolha da mãe no momento do parto em ambientes hospitalares.

Enfim, àqueles que apoiam e desejam o parto humanizado, precisamos não apenas encorajar as mães a fazer essa escolha de modo consciente e confiante em tudo aquilo que um parto humanizado pode representar para elas e seus filhos, mas os pais também precisam ser encorajados. A nossa história recente não apenas se empenhou em fazer as mulheres desacreditarem de suas capacidades de realizar partos naturais, os homens também foram expropriados de viverem esse momento com segurança. Isto não apenas afeta aos homens de nossos tempos, mas acredito ser mais um mecanismo sutil de enfraquecimento do parto humanizado, afinal sem a presença dos parceiros e a convivência com seus receios, muitas mulheres também ficam afetadas em sua confiança.

Desculpem por ter me alongado demais!

E força aos pais!

Por Diego Mendes

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