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Relatos de Amamentação

Aurea: mãe da Ana Clara
mãe da Ana Clara
 
Acontece que entrei em trabalho de parto com 36 semanas de gestação e isso mexeu com toda a minha estrutura psicológica e emocional. Eu não queria parir com 36 semanas e o medo era tão grande que realmente eu não pari. 
Após 7 horas de trabalho de parto pedi pela cesária, pois não estava dando conta de sentir as contrações e ao mesmo tempo negar que estava parindo. Meu corpo não acompanhava o processo. Tenho certeza que parir é muito mais psicológico que fisiológico. 
Enfim, dadas as condições do parto, minha bebê que, apesar de nascer saudável e não precisar de respiração artificial, teve um breve desconforto respiratório e, por isso, não pude amamenta-la no primeiro dia. 
Ela ficou no soro em observação, longe de mim, do meu colo e do meu peito. 
No outro dia ela foi liberada para ir pro quarto com indicação de acordá-la para mamar a cada 3 horas e oferecer complemento no copinho. Questionei a necessidade de complemento e recebi a porrada de que se ela não  aceitasse o complemento no copinho, passariam sonda, pois meu colostro era pouco e ela teria  uma hipoglicemia. E, assim fizeram. 
Quando cheguei no berçário para pegá-la, a enfermeira já tinha ofertado o primeiro copinho de leite artificial para ela. Fiquei arrasada. Me senti péssima e impotente. Me questionei algumas vezes do porque não enfrentei a médica. Mas com ela no quarto a história era outra. 
Ofereci o complemento mais  uma vez e percebi que ela não iria sugar nunca o meu peito se continuasse recebendo aquela feijoada toda. Passei a não ofertar o complemento e mesmo assim a glicemia dela não baixou. Uffa, foi um alívio saber que não estava tão errada assim. 
Terceiro dia fomos para casa e nos deparamos com uma bebê que dormia muito e mamava pouco, mesmo com todos os estímulos possíveis. Resultado? Uma semana após o nascimento tinha perdido mais peso após a alta. O medo bateu novamente e o desespero também. Passei a oferecer o peito mesmo dormindo. Espremia o leite na boca e mexia o queixinho para ver se engolia. 
Nesse meio tempo estava com o peito fissurado e sangrando. Afinal, ela abria pouco a boquinha e não fazia a pega correta. Bora chorar para a rede de apoio (leia-se, noivo e amigas mãezonas) e buscar ajuda. Recebi orientação de uma consultora de amamentação e as coisas começaram a melhorar. Menos o peito porque esse sofre até hoje (risos). 
Passamos por alguns picos, cólicas, bebê sugador e com muita leitura sabíamos que aquele período passaria. Era isso que meu noivo dizia. Menos eu. Eu fiscalizava o número de xixi que ela fazia, mas mesmo sendo sempre em grande quantidade eu duvidava que o meu leite era o suficiente. Não conseguia notar mudança no peso dela também. Sofria quando alguém falava de outros bebês comparando o tamanho ou fazendo menção sobre dar mamadeira.
Nessa altura do campeonato já estava fazendo tranças com os pêlos em ovos e brincando de ciranda com o puerpério e a dúvida. Não fosse meu noivo eu teria surtado. Ele acreditou em mim quando eu mesma tinha desacreditado (e é assim até hoje). Ele não permita mais comparações de terceiros e dizia todos os dias o quanto ela estava se desenvolvendo bem. 
Após o final de um dia de pico, com peito murcho, bico ardendo e bebê pedindo para mamar, era eu chorando dizendo que meu peito não era o suficiente e questionava se não valeria a pena dar uma mamadeira. Sorte a minha que meu noivo nunca me ouviu. Ao contrário, sempre contestava minha fala e me fazia lembrar de tudo que havíamos estudado. E na manhã seguinte o sol saía, e junto com o dia que acabava de nascer, as forças se renovavam. 
Estava tão bitolada no assunto 'peso' que, despejei toda minha frustração com meu G.O no intuito de que ele receitasse algo. Tipo pílula mágica, sabe!? Queria algo que amenizasse o cansaço, o peito murcho e desse um jeito na cria que parecia faminta. A minha sorte parte II é que meu G.O acolheu toda minha lamúria e disse "está tudo bem, é assim mesmo, faz parte da adaptação". Pediu para eu desencanar do peso da bebê (pq eu queria até comprar balança para controlar) e esperar o dia de ir na pediatra pra saber se o ganho de peso foi satisfatório ou não e, somente aí, decidir com base no resultado o que fazer. 
Por fim, o grande dia da pesagem chegou e meu noivo confiante como sempre fez até uma aposta sobre o peso dela, que eu perdi, claro. Meus olhos brilharam com os números na balança e minha fé em mim foi restaurada. Ela tinha recuperado o peso do nascimento e um pouco mais, em um intervalo de 23 dias. Nesse momento eu consegui reacreditar na minha capacidade de nutrir. 
Mérito meu? Sim, com certeza. Mas agradeço ao meu noivo por cada palavra de força e confiança que ele depositava em mim. Sem ele talvez eu não tivesse conseguido. 
 
Na foto acima ela havia completado 1 mês de vida e o primeiro mês de amamentação exclusiva. Continuamos firmes na luta, com sono, cansaço, restrição alimentar também e muita, mas muita satisfação por cada momento vivido com ela. 
 
 
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