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Relatos de Amamentação

Elizandra: amamentação da Clara e do Heitor
amamentação da Clara e do Heitor

Comigo não foi diferente, nunca cogitei a possibilidade de não amamentar. Sabe aquele ditado “Se penso, logo existo?” - Se tenho filho, logo amamento! Uma coisa está diretamente relacionada à outra e uma não existe sem a outra.

A minha primeira gestação foi planejada, desejada e cor-de-rosa! Cheia de laços e fitas, não só porque esperava uma menina, mas porque desde que passei a me entender por gente desejei ser mãe, então quando engravidei passei a viver no paraíso materno, era romantismo puro minha gente! Até que Clara nasceu...

Quando a enfermeira veio e a trouxe para a primeira mamada, a rebenta desesperada mirou, mirou, mirou e acertou meu braço! Sugou desesperadamente e obviamente que nada saía, e ela berrava! Berrava estilo porco no matadouro. Nesse momento, eu não sabia se ria ou se chorava e quase perguntei pra enfermeira se era pegadinha e onde estava a câmera escondida, porque aquilo tudo nem de longe era o que havia imaginado em meus sonhos coloridos, foi quando me veio o pensamento “pensei que tivesse tido um bebê e não um ET” de tão desesperador que era tudo aquilo.

Fizemos várias novas tentativas e ela continuava mirando e pegando o braço. A minha sorte (se é que posso dizer que tive) é que fui muito bem assistida pela equipe da maternidade. Ora vinha uma enfermeira, ora vinha uma fonoaudióloga para auxiliar a criança a pegar no peito. Eu segurava a bebê no colo e tão logo ela sentia meu cheiro começava a focinhar, mas sempre ia em direção do braço, e nesse momento uma das auxiliares pegava sua cabeça e girava em direção do peito até que ela abocanhava, mas abocanhava errado, não fazia a pega com “boca de peixinho”. Não sei precisar quantas tentativas fizemos até que ela pegasse corretamente, e quando pegou... AAAAAAAAAAAAAAAAAAi!!!! Gente, não era só um ET, era um ET com mil agulhas na boca que espetavam meu peito, que latejava, que doía, que não saía leite! Meu Deus, definitivamente aquilo não era nada romântico, nem gostoso, e eu chorava! E ela também chorava. Assim foram os dois primeiros dias após seu nascimento, até que no terceiro dia a enfermeira me olhou fixamente e falou: Se ela não pegar direito seu peito a pediatra não vai liberar vocês para irem pra casa. Para ser uma cena completa de terror só faltou a trilha sonora, porque o que eu mais queria era ir pra minha casa. Depois disso, tomei um longo e demorado banho onde as lágrimas se misturavam com a água do chuveiro. Renovei minhas energias e rezei muito pra que aquela situação mudasse. Após o banho peguei a Clara e me dirigi ao berçário. Lá passamos infinitas 4 horas num exercício exaustivo juntamente com a fonoaudióloga de pega peito, mama, solta peito, pega de novo, espeta peito, mama um pouco, pega braço, solta braço, vira a cabeça, pega peito errado, solta, pega certo, mama mais um pouco, etc... Até que ela nos deu a carta de alforria e no dia seguinte a pediatra nos liberou.

Minha mãe ficou durante um mês em casa comigo, no final desse tempo ela ganhou o título de viradora oficial de cabeça de bebê que busca mamar no braço! Eu mesma concedi esse título a ela com louvor, porque mesmo indo para casa a Clara e eu ainda demoramos um bocado de tempo para nos entender. 25 dias foi o que levamos para que finalmente as mamadas acontecessem de forma natural, sem viração de cabeça para o abocanhamento do seio, sem espetadas de agulhas e quase sem dor. E aos poucos ela foi se transformando naquele bebê que eu sempre havia sonhado.

Mesmo tendo passado por tudo isso nunca cogitei a hipótese de desistir. Amamentei exclusivamente até o sexto mês, mesmo tendo voltado a trabalhar tirava o leite suficiente para as mamadas durante minha ausência.

Meu segundo filho está com um ano e meio de idade e o único leite que consome é o meu, já come frutas, refeições completas, mas o leite é exclusivo da mamãe! Amo amamentar! Para mim é um dos maiores prazeres que a maternidade pode proporcionar.

Heitor pegou o peito na primeira tentativa, não doeu. Fui ao céu e voltei, parecia um sonho colorido, romântico, só que de verdade!

 

Notas:

1. Se posso dar um conselho às mamães de primeira viagem é: Leiam muito sobre amamentação, não economizem nas leituras, se informem, participem de grupos de apoio às gestantes.

2. Pelo fato da Clara ter dado trabalho para pegar o peito deram a ela, com minha permissão, um leite artificial no copinho, o que desencadeou muita cólica e também alergia à proteína do leite animal. Esse diagnóstico me foi dado depois de muito sofrimento e angústia quando ela estava com quase 4 meses. Tive que fazer uma dieta com restrição total do leite em minha alimentação. Emagreci horrores porque não podia comer nada, foi sofrido para mim e por isso parei de amamentar quando ela completou 7 meses.

3. Todo bebê nasce com uma reserva energética suficiente para aguentar até o leite da mãe descer, o que leva em média 3 a 5 dias, no início o colostro basta para o bebê se sentir bem alimentado, ele não passa fome!

4. Se eu tivesse lido e me informado, jamais teria permitido que dessem a ela aquele leite artificial. Conheço casos de crianças que tiveram choque anafilático pelo simples fato de tomar esse leite na maternidade.

5. Heitor nasceu em outra maternidade, mamou corretamente desde o início e ainda assim enfermeiros do berçário quiseram me convencer de que ele sentia fome pelo fato de que chorava bastante, e queriam dar o tal leite no copinho. Me empoderei e discuti com o enfermeiro que chegou ao ponto de me dizer que meu filho poderia morrer de fome! Fiz cara de paisagem para ele e disse que se ele tivesse que morrer de fome ele morreria, mas que o único leite que entraria na boca dele seria o meu.

6. Leia, se informe, não economize nas leituras. Entrar no mundo da maternidade com informação traz mais segurança à mãe, o que a deixa mais tranquila para se dedicar ao bebê. Se eu tivesse feito isso, tudo teria sido mais fácil para mim e para Clara.

7. Em tempo: conheço algumas amigas que amamentaram sem nenhum tipo de dor no seio! Sim, 0% de dor! Sortudas elas! Porém, sem dor ou com dor, amamentar vale muito a pena pela saúde do bebê e vínculo com a mãe.

8. Amamentar é tudo de bom!

 

Elizandra Girola, 36 anos, publicitária que largou a carreira para dedicar-se aos filhos Clara e Heitor e está amando os desafios e aventuras do dia a dia.

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