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Relatos de Amamentação

Liana: mãe da Maria
mãe da Maria

Acredito que amamentação é 100% emocional! E eu no topo do puerpério, hormônios à flor da pele e em luto por um parto que não tive, claro que o resultado foi problema! No primeiro dia em casa, de madrugada, fui tentar uma nova posição para amamentar e a bebê, ainda não sei como, arrancou um pedaço do bico do meu seio e depois do outro. Pedaços grandes, fez machucados bem significativos.

A orientação profissional foi que eu deveria suspender a amamentaçao até cicatrizar! E seguir com ordenha e leite no copinho. Nunca cicatrizava, sempre que insistia a voltar a dar o peito, machucava de novo, suspendia de novo! E assim foi por mais de 1 mês. Sentia dores fortissimas! Isso me deixou muito nervosa. Amamentar não fluía como natural para mim, chegava a tremer quando estava chegando a hora! Implorava para meu marido ficar comigo. Ele segurava o queixinho da bebê e a minha mão, e às vezes eu até mordia algo, de tanta dor que sentia.

Hoje, olhando para trás, acredito que não foi o machucado o maior problema, mas sim a desinformação e falta de apoio CONSCIENTE! Eu fui acompanhada por fonoaudiólogas, enfermeiras, médicos e o banco de leite da minha cidade. Só profissionais! E todos me trataram com muito carinho e solicitude, ajudaram a corrigir a pega da minha bebê e tenho certeza que só queriam o meu bem. Entretanto, não sei se por falta de conhecimento ou não, eles me deram orientações do tipo: “peito é para matar a fome, não para bebê dormir; amamentar por no máximo 40min; não pode deixar “chupetar”; sua bebê tem muita necessidade de sucção, tem que dar chupeta”, a própria orientação para suspender e muitos outros absurdos que minaram a minha intuição materna e a real natureza da amamentação!

Juntando isso com a dor do machucado, quando amamentava, era contando os minutos para o término! Se passasse de 40min eu tirava, se “chupetasse” eu tirava, se dormisse no peito, eu tirava. Meu coração pedia para deixar a bebê, porque eu não me conformava com o choro dela ao sair do peito! Mas cheguei a ouvir de uma profissional do Banco de Leite que se eu continuasse dando o peito com aquele machucado, ia perder o bico e ter que desmamar! Então, com medo de não conseguir amamentar, eu segui. Mal sabia eu que era justo com esses conselhos que logo iria desmamar. Porque assim como as intervenções do parto, na amamentação funcionam também como uma cascata, um puxa o outro!

Minha filha, como a grande maioria dos bebês, sugava pouco e já dormia. E com todas essas orientações, começou a passar fome, perder peso e chorava muito. Eu consegui um pouco de leite do Banco de Leite, mas como a minha bebê nao era prematura, eles não podiam ofertar mais. Então a recomendação imediata foi introduzir complemento com leite artificial (TODOS os profissionais indicaram isso!).

Eu resisti muito, não queria de jeito algum, mas aí começou a pressão da familia, pediatra e todos que acompanhavam! E o medo de eu fazer algo de ruim para minha filha por causa de um “sonho meu” de amamentar?! Eu iria prejudicar a saúde da bebê por “teimosia minha”?! Mil e um comentários, mil e um medos! Um pediatra chegou a escrever na ficha médica que eu estava adoecendo minha filha porque “insistia em querer amamentar”!

Bom, aí ela entrou com a fórmula, mas ainda não parava de chorar! CLARO!! Não era leite que ela queria!! Aí veio a famosa história da cólica! E me indicaram remédio! Para uma recém nascida! Meu Deus!! Quanta coisa minha filhinha passou por só me querer?! Querer voltar ao porto seguro que ela tão bem conhecia há 9 meses?! Que dor de lembrar!

O remédio para cólica não fez ela parar de chorar. Então, falavam ser fome, que ela era uma bebê que comia muito e etc, aí aumentávamos cada vez mais a quantidade de fórmula até que obviamente ela dormia de tão cheia que estava! E aí todos falavam, “viu como era fome?!”, me fazendo sentir culpada! Algo dentro de mim não acreditava nisso! Mas quem era eu, uma simples mãe de primeira viagem, para ir contra a palavra de médicos e especialistas?!

Tinha tanto medo de secar o leite que fazia ordenha a cada 2h, dia e noite! Mas apesar do meu esforço, a produção de leite caiu muito, pois sabe-se que a sucção de um bebê é bem mais forte que a ordenha. Aliado a tudo isso, ainda minha bebê pegou candidiase (sapinho) que passou para o peito e que ajuda a aumentar a dor e entupimento dos ductos! Parecia um buraco sem fim!

Depois de pouco mais de 1 semana já dando a fórmula e ficando cada vez mais sem leite, no alto do meu desespero, comecei a conversar com várias pessoas pela internet e uma foi me levando a outra e, graças a Deus, cheguei a um grupo de apoio a mães! Foi minha salvação! Várias mães me ajudaram! Com conselhos BEM diferentes dos profissionais!

Primeiro uma delas mandou a foto do meu machucado para a Simone de Carvalho, da AMS, que analisou e disse que como não tinha atingido a aréola, eu poderia SIM continuar amamentando! Então duas mães me visitaram em casa, me informaram, me desmistificaram sobre o ganho de peso, fórmula, tempo de amamentação... me encheram de esperança!

Nesta noite, assim que elas saíram de casa, eu chamei meu marido e disse “ACABOU! Não vamos mais dar fórmula! Não vamos mais fazer nenhum acompanhamento profissional!” E a partir desse momento tirei de uma vez o leite artificial, joguei a lata fora e botei a bebê no peito!

Sim! Ainda tinha dor, muita! Mas minha felicidade era muito maior! Comecei a me sentir mãe! Óbvio que nao foi um passe de mágica! A minha produção estava bem baixa e a dor faz os ductos contraírem e dificultaa descida do leite. Minha bebê novamente freiou o ganho de peso! Ja não chorava mais, era uma criança alegre e que se desenvolvia saudavelmente! Mas o medo voltou! Quem quer arriscar ver um filho doente?!

Foi aí que uma outra mãe, mesmo de longe, começou a conversar comigo e mandar áudios com informações e muito apoio! Jamais vou esquecer sua doce voz me dizendo “você é capaz de nutrir sua filha! Confie no seu corpo, confie em você e na sua filha!”. Acho que ela jamais vai ter dimensão do bem que ela me fez! E a partir de então esqueci de balança, de peso, de detalhes que iam contra ao que via: uma bebê saudável, que fazia xixi, coco, ria, estava crescendo e se desenvolvendo lindamente!

Seguindo seu conselho, grudei a bebê no peito e ficava o dia todo no sofá assistindo filmes e curtindo, finalmente, a amamentação! E apesar do machucado continuar (foram 5 meses para cicatrizar por completo), a dor sumiu de um dia para o outro!

E simples assim ela engordou, muito, encheu de dobrinhas! Hehehe

Hoje minha filha está com 7 meses e meio e começando a introduçao de sólidos, mas louca pelo peito que NUNCA lhe é negado e assim vai ser até quando ela quiser!

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