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Relatos de Parto

Larissa: Nascimento da Nina - Parto natural em Maringá
Nascimento da Nina - Parto natural em Maringá

Na madrugada de terça-feira, comecei a sentir fortes contrações (até aquele momento eu achava que aquelas contrações eram fortes, já que se tratava da minha primeira gestação). Não consegui ficar deitada na cama, pois sentia necessidade de estar em pé quando vinham as contrações. Imaginei que seria o início do meu TP (trabalho de parto), pois o tampão mucoso tinha saído no sábado à noite e eu sentia dores abdominais chatinhas, tipo cólicas menstruais, desde então.

Acabei levantando da cama às 3h30 e às 4h comecei a cronometrar o tempo. As contrações estavam próximas umas das outras, vinham em menos de cinco minutos. Escrevi uma mensagem para a Renata, minha doula, dizendo que eu achava que meu TP estava começando, mas que esperaria mais algumas horas para saber o que estava acontecendo.

Perto das 6h da manhã as contrações começaram a ficar mais esparsas, de 6 em 6, ou 7 em 7 minutos, então resolvi parar de cronometrar o tempo e ir descansar. Consegui dormir e relaxar entre as contrações e assim segui durante o período da manhã. Ainda fiquei um pouco no computador, arrumei algumas coisas na casa, e logo no início da tarde consultei com o meu médico, o Dr. Edson Rudey. Cheguei ao consultório com contrações mais fortes e após os exames, ele me disse que eu já estava com 3 cm de dilatação. Isso eram quase 15h da tarde. O Edson perguntou se eu queria me internar ou se preferia ir para casa. Disse que eu preferia ir para casa e ficar com meu marido, Juliano, até sentir que precisava ir à maternidade. Também encontrei a Renata e disse para ela que preferia ir para casa.

Perto das 18h comecei a sentir mais intensidade nas contrações. A Renata se prontificou a vir aqui em casa, mas eu não achava necessário, pois sabia que em breve iria para a maternidade. Eu tinha pensado em ir para a maternidade por volta das 19h, porque queria cronometrar as contrações e verificar se realmente estavam mais próximas e mais duradoras. Entretanto, quando foi umas 18h30, eu já não queria ficar em casa. Já não encontrava mais posições     confortáveis para suportar as dores das contrações e comecei a ficar ansiosa. Meu marido então me incentivou a irmos para a maternidade. Eu interiormente resistia, porque tinha medo de chegar lá, fazer os exames, e descobrir que o TP não tinha avançado. Achei que seria um balde de água fria.

No caminho para a maternidade, tive duas contrações muito fortes. Eu pedi para o meu marido parar o carro quando senti que as contrações estavam vindo. Era muito desconfortável sentir as contrações quando eu estava sentada ou deitada. Não parava de pensar nas mulheres que são internadas e obrigadas a ficar deitadas durante o TP. Imagino que a dor e desconforto devam ser imensos!

Como saímos de casa meio na correria, fomos para a maternidade sem avisar a Renata ou o Edson. Logo na entrada da maternidade tive uma forte contração e por esse motivo, me internaram bem rápido. Minha mãe ficou preenchendo toda aquela papelada da internação, o Juliano foi no carro buscar as malas e eu fui para o quarto. Os minutos seguintes foram meio agonizantes. Não conseguimos contato imediato com o médico, as dores aumentavam, e eu fiquei me perguntando se deveria ter ficado tanto tempo em casa. Claro que na minha cabeça, tudo parecia uma eternidade. Mas a verdade é que em menos de meia hora a Renata e o Edson já estavam lá. Fiz um novo exame e estava com 7 cm de dilatação. Eu achava que então estava quase tudo acabando. Mas foi quando as contrações começaram a vir com um intervalo menor e a durar mais. Eu não me acertava com a bola de fisioterapia. Eu não queria ficar perto da cama.

Sempre que vinha uma contração, eu corria para o banheiro. Foi muito confortável entrar no chuveiro, fiz isso duas vezes e não sei quanto tempo fiquei lá. Eu gritava, urrava, dizia que doía. Disse algumas vezes que não conseguiria.

Eu pensei que eu seria bem menos escandalosa. Após uma contração muito forte, vomitei. Eu acho que eu parecia uma mariposa dentro do quarto, pra lá e pra cá, me debatendo nas paredes. Essa era a minha impressão.

Em determinado momento, senti que bem no finalzinho das contrações, eu tinha vontade de me agachar e fazer força. Disse isso pro Juliano, também avisei a Renata e logo veio o Edson me examinar. A Nina já estava pronta para nascer. Eu senti um alívio tão grande... mal sabia que ainda teria que ter mais forças...

Sentei na banqueta de cócoras e comecei a fazer força quando sentia que as contrações assim exigiam. Eu pensei que seria rápido, mas todo o período expulsivo demorou em torno de 30 minutos, foram muitas contrações. Em certo momento eu me levantei, me pendurei no pescoço do Juliano e fiz força algumas vezes nessa posição. Senti que essa posição era mais eficiente, mas como minhas pernas tremiam e eu fraquejava, precisei me sentar novamente na banqueta...

Depois de mais algumas contrações, Nina nasceu. Vi ela na mão do médico – pequena, roxinha, com o cordão ligado a mim. Ela estava quietinha, mas logo começou a chorar, chorar forte. Ela veio para o meu colo, estava molhada... segurei ela por alguns minutos e em seguida fui para a cama, pois estava exausta e ainda precisava expulsar a placenta (o que foi bem rápido). O Edson me examinou e disse que tive apenas uma pequena laceração no períneo e que não precisava levar nenhum ponto. Fiquei ainda mais feliz com essa notícia. Nina nasceu às 23h da noite de terça feira, após 20 horas de trabalho de parto.

A Nina foi rapidamente examinada por uma pediatra e uma enfermeira. Quando voltou para o meu colo, ficou ainda alguns minutos chorando e a Renata ajudando para ela pegar o meu peito. Depois que ela pegou, ficou ali mamando por muito tempo, talvez 30 ou 40 minutos. Quando adormeceu, Juliano a levou para o berçário e ali ela tomou banho, foi examinada, medida, pesada, vacinada, etc.. O Juliano a trouxe de volta para o quarto, e agora éramos só nós três. Ela logo adormeceu. Eu estava tão contente e feliz, que não conseguia pegar no sono, mesmo exausta... eu queria ficar eternamente olhando para ela.

No dia seguinte, quando me perguntaram sobre a experiência do parto, eu não sabia bem o que dizer. Disse que foi pior que eu pensava, mas no final, foi melhor do que eu esperava. Uma das enfermeiras me parabenizou pelo parto. Ela perguntou se eu teria novamente um parto normal. Acho que nem era preciso responder. A felicidade estava estampada no meu rosto!

 

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